O que a máquina não sabe do Brasil
Um modelo de linguagem escreve a continuação mais provável, e a mais provável vem de onde há mais texto: São Paulo, Rio, o português da redação e do escritório. O resto do país aparece pouco – e o que aparece pouco, a máquina erra mais.
Isso vale para a fala ainda mais do que para a escrita. Um reconhecedor de voz treinado com locutor de rádio trava com o interior de Minas, com o litoral do Nordeste, com a fronteira do Sul. Existe até um modelo brasileiro, o Sabiá, da Maritaca AI, feito em Campinas – e existe justamente porque os modelos estrangeiros não dão conta do português daqui. Este site não tem relação com ele.
Seu sotaque não é defeito. Para a máquina, é o dado que falta.
Seis caminhos, um cartaz
Várias plataformas aceitam cadastro de quem mora no Brasil e perguntam de onde você é e o que você fez da vida, não que diploma tem. São seis tipos de trabalho:
- A Voz – gravar frases com o seu jeito de falar. Procuram todas as regiões e todas as idades.
- A Leitura – ler o que a máquina escreveu e marcar o que está errado ou não soa brasileiro.
- O Ofício – julgar respostas sobre a sua profissão: a laje, o curativo, o balanço. Em inglês.
- A Transcrição – ouvir áudio e passar para texto, seguindo as regras do projeto.
- A Busca – dizer se um resultado de mapa ou de busca serve de verdade para a sua cidade.
- Conta Própria – revisar, traduzir ou dar aula para clientes seus, com MEI ou outra formalização.
Antes de colar o cartaz
Não é emprego. Paga‑se por tarefa, e as tarefas vêm em ondas: um projeto de voz para o Nordeste abre, dura umas semanas e fecha. O cadastro demora, nem todo mundo passa nos testes, e algumas plataformas não aceitam quem mora no Brasil. Não publicamos valores – dependem da tarefa, da região e da semana.
Oito perguntas, três minutos, sem cadastro. O resultado chega por e‑mail.